segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Quem foi o profeta Habacuque?


Quem foi o profeta Habacuque?
Luciano Rogerio de Souza

Acredita-se que Habacuque (significa abraço amoroso) era um líder de adoração no Templo (cantor puxador ou cantor-mor) - O SENHOR Deus é a minha força, e fará os meus pés como os das cervas, e me fará andar sobre as minhas alturas. (Para o cantor-mor sobre os meus instrumentos de corda) (Hb. 3.19). Este verso contem notificações musicais, que leva-nos a crer que ele pertencia à família levítica (levíticos eram responsáveis pela liturgia do culto: músicos, cantores, porteiros, etc.).
O livro na verdade é um poema dividido em duas partes que se refere especialmente à destruição do império babilônico. Aborda também sobre o castigo de Judá e sua restauração.
A expressão “o peso que viu o profeta Habacuque” (Hb.1.1), significa que o mesmo teve visões sobre a punição das injustiças cometidas por Judá e também visões do juízo divino para com a Babilônia.
Habacuque presenciou uma das etapas mais crítica do Reino Sul, ou seja, das reformas do Rei Josias (santificação) e posteriormente o desenvolvimento da violência entre judeus, da opressão contra os necessitados e o desprezo para com a Lei Mosaica (profanação). Ele testemunhou o declínio da nação, de purificada à profanada. Outros profetas já haviam sentenciado que o declínio espiritual e a apostasia da nação judaica iriam desenvolver futuras calamidades vindas da parte do Senhor.    
O profeta pensava que o Deus de Abraão havia abandonado Judá e aliança feita com os patriarcas - Até quando, SENHOR, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! e não salvarás? (Hb. 1.2).
As injustiças era o centro do pensamento do profeta. Não difere de hoje, onde as injustiças (fora e dentro das igrejas) são praticadas normalmente nas igrejas, que deixam de socorrer os necessitados, os órfãos e as viúvas em detrimento do luxo, da ostentação e dos carros importados. A preocupação com o conforto e todas as misérias citadas acima, faz com que a igreja ( ou seja, a maior parte dela) esqueça da sua razão de existir - Compartilhai com os santos nas suas necessidades, segui a hospitalidade (Rm. 12.13).  A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo (Tg. 1.27). Negar ajuda aos necessitados é corre um grande risco - Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos; Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; Sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando nu, não me vestistes; e enfermo, e na prisão, não me visitastes.  Então eles também lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos? Então lhes responderá, dizendo: Em verdade vos digo que, quando a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim (Mt. 25. 41-45).
Deus antecipou para os judeus, as perdas que eles sofreriam irreparáveis: a perda da terra, do templo e do culto, devido a servidão. A única coisa que eles teriam em solo estrangeiro era a fé - mas o justo pela sua fé viverá (Hb. 2.4b). Na Babilônia longe da terra, do templo e do culto, eles deveriam apegar somente a fé, que é algo invisível e agradável - ORA, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não veem. Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam (Hb. 11. 1,6).
O apóstolo Paulo apropria da assertiva do profeta “o justo, pela sua fé, viverá” e argumenta que para adentrar e permanecer no Reino de Deus (evangelho) é necessário viver pela fé. Para receber a justificação divina precisamos da fé -  TENDO sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo  (Rm.5.1).
Há uma declaração de cinco “ais” contra a Babilônia – [...] Ai daquele que multiplica o que não é seu! (até quando?) e daquele que carrega sobre si dívidas! Ai daquele que, para a sua casa, ajunta cobiçosamente bens mal adquiridos, para pôr o seu ninho no alto, a fim de se livrar do poder do mal!  Ai daquele que edifica a cidade com sangue, e que funda a cidade com iniquidade!  Ai daquele que dá de beber ao seu companheiro! Ai de ti, que adiciona à bebida o teu furor, e o embebedas para ver a sua nudez!  Ai daquele que diz ao pau: Acorda! e à pedra muda: Desperta! Pode isso ensinar? Eis que está coberta de ouro e de prata, mas dentro dela não há espírito algum (Hb. 2. 6,9,12,15,19).  
O livro termina enfatizando o persistir na fé (Hb. 3.16-19), tema abordado reforçado pelo Senhor Jesus - Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo (Mt. 24.13).

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